A qualidade do ar em ambientes internos tem impacto direto na saúde, no conforto e, principalmente, na qualidade do sono. Esse foi o tema da terceira palestra da tarde de quarta-feira (24), ministrada por Eduardo Bertomeu, engenheiro mecânico e especialista em sistemas de HVAC, na Arena Aircon Experience. Em sua apresentação, o profissional destacou como a ventilação adequada pode contribuir para noites mais restauradoras e para a melhoria do desempenho cognitivo e físico das pessoas.
Segundo ele, durante o sono o organismo continua consumindo oxigênio e produzindo dióxido de carbono (CO₂). Em um dormitório típico, ocupado por duas pessoas durante oito horas, a concentração desse gás pode ultrapassar 1.500 ppm e até atingir 2.500 ppm quando não há renovação adequada do ar. Embora esses níveis não representem intoxicação, podem provocar sono mais superficial, aumento dos microdespertares, sensação de ar pesado, dores de cabeça ao acordar, fadiga matinal e redução da capacidade cognitiva no dia seguinte.
Além do CO₂, outros fatores também interferem no descanso, como compostos orgânicos voláteis (VOCs), partículas finas, poeira, fumaça, excesso ou falta de umidade e a presença de alérgenos. Esses elementos podem causar irritações respiratórias e comprometer a profundidade do sono.
Como solução, o especialista ressaltou a importância dos sistemas de ventilação mecânica e da renovação controlada do ar, capazes de reduzir a concentração de CO₂, remover poluentes e melhorar as condições respiratórias dos ocupantes. Para dormitórios com duas pessoas, a recomendação é uma taxa de renovação entre 100 e 120 m³/h, mantendo os níveis de CO₂ próximos da faixa considerada ideal para o descanso.
Ao concluir, o palestrante reforçou que a ventilação adequada deixou de ser apenas uma questão de conforto para se tornar um componente essencial da saúde ambiental. “Dormir em ambientes com baixos níveis de CO₂ favorece a recuperação física e mental, contribuindo diretamente para a qualidade de vida”, destacou.



