Frio aumenta busca por ar-condicionado quente e frio

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A chegada de frentes frias às regiões Sul e Sudeste tem ampliado a procura por soluções de climatização que vão além da refrigeração. Com a queda das temperaturas, modelos de ar-condicionado com tecnologia quente e frio ganham espaço nos ambientes residenciais, comerciais e industriais, combinando aquecimento, eficiência energética e controle da umidade.

Dados da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) mostram que o mercado de equipamentos Split de parede (HW), utilizados principalmente na climatização residencial e comercial leve, cresceu 16% em unidades em 2025, na comparação com o ciclo anterior, nas regiões Sul e Sudeste.

O avanço foi ainda mais expressivo entre equipamentos com tecnologia Inverter. No mesmo período, a comercialização dessas unidades aumentou 25% no segmento corporativo pesado, que reúne aplicações em hospitais, indústrias e grandes estabelecimentos comerciais.

Para Fernando Pozza, gerente regional Sul da Daikin, o comportamento da demanda varia conforme o setor e a intensidade das mudanças climáticas. Enquanto operações industriais e hospitalares costumam trabalhar com planejamento de longo prazo, consumidores residenciais e empresas podem antecipar decisões de compra diante de períodos de frio mais intenso.

“A previsão de temperaturas baixas gera uma demanda no consumidor. Nesse momento, a escolha costuma ficar entre o ar-condicionado Inverter quente e frio ou os aquecedores elétricos tradicionais. Embora o aquecedor elétrico tenha um custo de aquisição inicial mais baixo, ele apresenta um alto consumo de energia e menores níveis de segurança”, explica Pozza.

Eficiência no aquecimento

O consumo de energia é um dos fatores que diferenciam o ar-condicionado quente e frio dos aquecedores elétricos convencionais. O funcionamento por bomba de calor permite transferir para o ambiente interno o calor disponível no ar externo, em vez de produzir calor diretamente por meio de uma resistência elétrica.

De acordo com o material, um ar-condicionado Inverter pode consumir entre 0,3 e 0,4 kW em determinadas condições de operação, chegando a utilizar cerca de um terço da energia exigida por um aquecedor elétrico comum para fornecer o mesmo nível de aquecimento. A economia pode chegar a 66%, dependendo das condições de uso.

“Também é um equívoco pensar que a função quente necessariamente consuma mais energia”, afirma o especialista. “Nos modelos com ciclo reverso, o aparelho funciona como uma bomba de calor: em vez de gerar calor por meio de uma resistência elétrica, transfere para o ambiente interno o calor disponível no ar externo. Por isso, pode entregar mais calor por unidade de energia do que um aquecedor resistivo e, em determinadas condições de uso, consumir menos do que o modo de refrigeração”.

O desempenho energético, no entanto, varia de acordo com fatores como a temperatura externa, a temperatura programada no aparelho, o isolamento do ambiente, o período de funcionamento e a necessidade de ciclos de degelo. Nos modelos Inverter, o compressor ajusta a potência conforme a demanda, o que ajuda a reduzir oscilações durante a operação e evitar desperdícios.

A operação em temperaturas mais baixas também conta com recursos específicos. Tecnologias como válvula de expansão eletrônica e sistemas inteligentes de descongelamento, conhecidos como defrost, contribuem para manter o funcionamento dos equipamentos mesmo diante de condições de frio mais rigorosas.

Controle da umidade no inverno

Além do aquecimento, o uso do ar-condicionado durante o inverno pode contribuir para o controle da umidade dentro dos ambientes. Em períodos de temperaturas mais baixas, a condensação pode provocar o aparecimento de vidros e janelas embaçados, situação comum em locais sujeitos a grandes diferenças entre as temperaturas interna e externa.

Nesse contexto, a climatização ajuda a controlar as condições do ambiente e a reduzir os efeitos associados à umidade. A utilização do ciclo quente também pode contribuir para a desumidificação, favorecendo condições mais adequadas dentro de residências e espaços comerciais.

O movimento reforça a utilização do ar-condicionado como equipamento para diferentes períodos do ano. No Sul e no Sudeste, onde as oscilações de temperatura podem provocar mudanças rápidas na necessidade de climatização, os modelos quente e frio passam a atender tanto os períodos de calor quanto os meses de inverno, enquanto a tecnologia Inverter ganha relevância pela possibilidade de ajustar o funcionamento do compressor à demanda do ambiente.

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